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Freguesia - Lendas e Tradições

LENDAS

Os contos e lendas são fruto do imaginário colectivo e subsistem graças à tradição oral, que os faz de geração em geração, reflectindo um pouco das gentes e das suas vivências.
Aqui ficam algumas das lendas que se contam em Aldeia Velha...

Lenda da Figueira
Conta-se que em certa propriedade de Aldeia Velha, um homem, já bastante idoso, teve a sorte de ser o único a sonhar, três noites seguidas, com um tesouro debaixo de raiz de uma figueira. Diz a lenda que a vida desse idoso e da sua família melhorou bastante deste então.

Lenda da Sobreira dos Lobos
Há muito tempo atrás, um pastor que andava com o seu rebanho na Herdade do Chamusco, começou a ouvir uns uivos ao longe. Pensou que seria nessa noite que os lobos lhe iriam devorar o rebanho.
Para afugentar a alcateia, começou a assobiar, mas não conseguiu que ela partisse. Ficou tão assustado que começou a perder a voz e quase ficou paralisado com o medo. Então, a alcateia avançou e devorou todo o rebanho.
O pastor conseguiu salvar-se, pois começou a ouvir uma voz que lhe dizia: " sobe à sobreira... sobe à sobreira... ".
O pastor assim fez e o sobreiro, que até então era uma árvore normal, abriu um buraco no qual o pastor se meteu para se esconder dos lobos.
Ainda hoje existe o sobreiro, a que todos chamam " sobreira dos lobos ", pelo acontecimento que ali se desenrolou.

Lenda da Pedra do Velho
Perto de Aldeia Velha, existe um lugar conhecido como "Pedra do Velho". Reza a lenda que, no início do século XX, certa noite, um vendedor de chocalhos que por ali passava sonhou que debaixo de uma pedra estava escondido um tesouro bastante valioso, mas, para que o sonho se concretiza-se, ele tinha que sonhar três noites seguidas, sempre o mesmo sonho, e não podia mexer na cama quando se levantasse. O vendedor teve três vezes esse sonho, mas, para ele se apoderar do tesouro, tinha que seguir os seguintes passos: debaixo da pedra existiam dois potes, dentro de um dos quais estava um boi e, no outro, libras de ouro, e, não muito distante deles, existia uma árvore chamada siqueiro. Assim, para que o homem conseguisse alcançar o tesouro, tinha que tirar as tampas dos dois potes e correr para junto da árvore, se chegasse primeiro que o boi, ficava com tesouro, se assim não fosse, seria morto pelo boi.
Segundo os mais antigos, o homem morreu debaixo da pedra, pelo facto desta ter caído do sítio onde se encontrava. A pata do boi ainda hoje se encontra marcada na pedra que matou o vendedor de chocalhos.



ARTESANATO

Os artesãos servem-se de tudo um pouco para conceber e dar corpo a variadíssimos artefactos populares. No caso concreto da Freguesia de Aldeia Velha, destacam-se as peças em madeira, cabedal e cortiça, bem como os trabalhos em chifre.

Trabalhos em Madeira
Nesta Freguesia, a madeira era utilizada para fazer diversos utensílios, nomeadamente ancinhos, forcados, forquilhas, rodos, pás, moeiras, medidas, rasouras, e utensílios empregues na debulha de vários cereais. Para a lavoura fabricavam-se também arados, cangas, cangalhas, padiolas, sarilhos, roldanas, sordos. Também deste material eram feitos pequenos objectos, chamados picotas e cegonhas, usados na irrigação de pequenas hortas.
De madeira faziam-se ainda muitos objectos de cozinha: colheres de pau, garfos, grais, rolos para estender massa, martelos para bater bifes, tábuas de cozinha, tabuleiros para escorrer a loiça, azeitoneiras e carretilhas ou recortilhas (usadas no fabrico das filhoses).

Trabalhos em cabedal
Hoje em dia, com o cabedal podem fazer-se numerosas peças, como sacos de mão para as senhoras, carteiras para documentos, cintos, porta-chaves e coleiras para animais. Antigamente esta matéria-prima era utilizada para fazer botas e sapatos para trabalhar na agricultura, ou seja, os designados "safões", utilizados na ceifa de vários cereais e em arrancas de mato, para evitar que os trabalhadores ficassem com dores nas pernas. Com cabedal faziam-se ainda as bainhas para machadas.

Trabalhos em Cortiça
A cortiça é tradicionalmente utilizada para diversos fins, nomeadamente para fazer cortiços. Para este efeito, tem que se escolher um sobreiro ou uma pernada com medida ideal, do qual se tira em caneleiro ou em duas pranchas. Depois aparelha-se e faz-se a costura com arame. É também necessária uma prancha para fazer a tampa, que é pregada com os viros (feitos de esteva, madeira muito rija). Em seguida, fazem-se as trancas, que servem para que os favos de mel não caiam no fundo do cortiço, e fazem-se os aivados, que é por onde as abelhas entram e saem.
Depois, amassa-se um pouco de barro, que não tenha pedras, para barrar as costuras. Finalmente, leva-se para o mato para enxamear (método para apanhar os exames) e, só então, se passa o cortiço para as colmeias móveis.
Para fazer cochos é necessário que os sobreiros tenham bolhas bem feitas. As bolhas maiores são aproveitadas para fazer os cochos, que servem para os tiradores de cortiça afiarem os machados e utilizarem noutras tarefas associadas à extracção de cortiça. As bolhas mais pequenas são talhadas de modo diferente: tira-se-lhes a casca e dá-se a sua forma final. São utilizados para se fazerem as aguadeiras, objecto utilizado pelos tiradores para beberem água, e em muitos outros trabalhos.
Algumas pessoas usam-nas para, quando vão de viagem, beberem água nas fontes que vão encontrando ao longo do caminho.
Para fazer tarros, a cortiça tem que ser de boa massa e fechada, sem bofe ou nós. Deve ser aparelhada e, quando estiver pronta, é colocada dentro de um recipiente com água para ferver. Em seguida, leva-se para um lugar escuro e deixa-se arrefecer. Quando estiver bem fria, é retirada e moldada. Depois de ter a forma fina é pregada com pregos, feitos de madeira rija para não partir. Deve ficar bem pregada para vedar. Na sua estrutura, leva um fundo e uma tampa, passada com uma lixa, e um arco, feito de madeira de salgueiro, pois esta é macia e permite que o arco se dobre sem partir.
Os tarros eram utilizados para transportar comida, uma vez que conserva o calor ou o frio, hoje em dia têm uma função meramente decorativa.
Os restos de cortiça são aproveitados para fazer muitos outros objectos, tais como rolhas, porta-chaves, fruteiras, quadros, entre muitos outros.

Trabalhos em Chifre
Desde sempre, os chifres foram decorados pelos artesãos. Dos chifres de alguns animais podem-se fazer, por exemplo, córneas para o sal, azeite e azeitona, assim como para transporte de pólvora utilizada nas antigas espingardas de caça. Também se faziam garfos, colheres, porta-chaves e diversos objectos para decoração.